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Ser é participação

Qualquer ato transforma o mundo. No mundo físico ao agirmos, por exemplo, sobre um objeto do real, a rigor, restringimos suas possibilidades. Antes muito mais vastas, um o tronco de árvore, por exemplo, pode ser transformado em qualquer coisa e quando escolhemos fazer dele uma certa coisa, abolimos todas as outras possibilidades. O exemplo do tronco mostra que a afirmativa é descrição do que rigorosamente acontece: ao agirmos transformamos o mundo. Pode-se pensar que é um exagero. Os poetas nos dizem, e faz tempo: “o bater das asas de uma borboleta aqui no sul do mundo modifica o mundo inteiro”, e isto é rigorosamente correto. Acontece que este fenômeno não é percebido, ele é apenas desprezível.

O pensamento humano se debruça, há muito, a fenômenos muito pequenos, diminutos; são, por exemplo,  as experiências com o átomo. Muitos e vultosos recursos são destinados ao estudo das partículas da matéria. Ali, no muito pequeno, encontramos surpresas desconcertantes.

O mundo do muito pequeno obriga o cientista a prestar atenção não só no objeto, mas no conjunto de aparelhos que observam. Obriga-o a perceber que o observador é a sua consciência, munida de aparelhos de ver. Acontece que ela, a consciência do cientista, também se modifica ao perceber o objeto percebido.

Quando observamos as coisas do mundo, o que temos é um ser que observa e outro que é observado. O que observa também é transformado e o que é observado também o é. Os dois são transformados. Esta simples constatação foi e ainda é negligenciada por muitos pensadores.

                No mundo do muito pequeno, ao concentrarmos nossa atenção a um objeto, lançamos luz sobre ele, forçamos o objeto a se mostrar para analisar o mecanismo de suas mudanças. Ao fazermos isso modificamos o objeto observado e ele nos escapa, pois se transforma.

                No mundo material as coisas são assim, rigorosamente assim. No mundo do pensamento, que é absolutamente abstrato, não é diferente. Toda vez que a consciência se aplica a um pensamento ou a um dado do mundo material é ela que se modifica, aliás participa da criação do universo. Esta é a sua característica fundamental: participa na construção do universo, pois introduz nele algo que nunca ocorrera e que nunca deixará de ter sido.  Este é um dado da realidade que é inescapável.

                Imagine o mundo político, o mundo das relações de poder. Lá desconhecem totalmente esta realidade. E introduzem no mundo leis obrigantes que modificam o mundo e na maioria das vezes o transformam em caos.

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