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Recado importante aos filhos do Presidente

Texto escrito por Stephen Kanitz

E Se A Economia Não Decolar? E Aí? Eduardo, Flavio e Carlos Bolsonaro, por favor prestem atenção.

Essa visão generalizada que a economia vai decolar com a volta da confiança, após a reforma da previdência, poderá não ocorrer. Como também acreditavam em 2017, Michel Temer e Henrique Meirelles, achando que se elegeriam com a esperada retomada do crescimento que não ocorreu em 2018, como previ pessoalmente. A economia já deveria hoje estar bombando, afinal esperamos 24 anos pelo fim do socialismo nacionalista PSDB e PT, e isso já ocorreu, mas a economia está travada.

Portanto tem algo mais em jogo:

Metade das 500 maiores empresas usaram seu capital de giro próprio nesses últimos 5 anos para sobreviverem. É uma autofagia, mas não há outra saída. Vou desenhar para deixar bem claro a importância do capital de giro próprio:

Se uma empresa como a Volkswagen, voltar a fazer um pedido de R$ 6.000.000 de autopeças, a uma metalúrgica sua fornecedora antiga, terá uma surpresa. A metalúrgica não tem mais os R$ 2.000.000,00 de capital de giro próprio que precisaria para comprar a matéria prima para “girar” sua capacidade ociosa, nesse volume.

“Lamentamos, depois que vocês deixaram de comprar em 2016, usamos boa parte dos R$ 2.000.000,00 do nosso capital de giro para despedir pessoal e sobreviver.”

“Hoje sobrou somente $500.000,00 e que só dá para atender 10% de seu pedido”.

Se crescermos será pouco, atentem a isso, por falta de capital de giro. Pelos meus cálculos faltam R$ 168 bilhōes de capital de giro, para fazer esse país andar. Empresas americanas trabalham com 20 vezes mais capital de giro do que as empresas brasileiras possuem hoje.

Esse problema é gravíssimo. Ficou claro? O que fazer?

1. Bancos brasileiros não emprestam para financiar matéria prima, por que o risco é maior, e não serve como garantia. Criem um programa para isso via Banco do Brasil e BNDES;

2. Governos passados exigiram que empresas pagassem seus impostos mesmo antes de receberem de seus clientes. Isso impede que os próprios fornecedores de matéria prima resolvam o problema. Adotem a proposta da Triplicata, onde o prazo de pagamento do imposto é igual ao prazo de pagamento da Duplicata, e o ônus é do cliente e não do produtor;

3. Aumentem seletivamente o Prazo de Crédito do IPI para 30 dias, injetando capital de giro para toda a economia, sem necessidades de Bancos;

4. Captem a juros de mercado via Tesouro, e repassem sem spread para as pequenas e média empresas, com prazos ainda mais generosos de IPI, a custo mais barato;

5. Aumentem os prazos de outros impostos, seletivamente por setor, por estado, por empresas de matéria prima, maximizando os poucos recursos que o governo tem;

6. Com a economia crescendo, agora sim, poderemos introduzir uma politica de aumentos progressivos de prazos, até 120 dias, ou até 360 dias eliminado o IR na fonte que é outra antecipação absurda;

7. Percebam Eduardo, Flavio e Carlos, que assim estaremos resolvendo um outro grande problema que a constante antecipação de impostos de Ministros da Economia passados geraram. Nós devolveremos a previsibilidade orçamentaria, vocês poderão ter um fluxo de caixa de 120 dias a 360 dia totalmente previsível, independente dos humores futuros da economia;

Eduardo, consulte Steve Bannon, que foi meu colega em Harvard, que ele lhe dirá a mesma coisa. Percebam que vocês não têm um único assessor formado em Administração no seu núcleo duro, para lhes explicarem como a nossa economia realmente funciona.

Eu tenho todos os dados, setor por setor, posso até identificar empresa por empresa, entre as 500 maiores, mas você tem dados de todas as empresas e não as usam. Espero ter colocado pelo menos uma pulga na orelha, por que de fato a economia não está mexendo, como venho lhes alertando.

 

Por Stephen Kanitz – http://blog.kanitz.com.br

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Redação Rádio MCI

A Rádio MCI tem como missão apresentar Música de qualidade, uma programação voltada para aquisição de Alta Cultura e a divulgação de informações relevantes para o público ouvinte, em especial assuntos que afetam diretamente nossas vidas no atual contexto sócio-político-cultural do Brasil, da América Latina e do Mundo.

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