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O Ocidente contra o terror: A nova geometria do poder no Oriente médio e o impacto do COVID-19

Texto original em espanhol do jornalista venezuelano Joelvin Villarreal. Tradução para o português de Davi Valukas, com autorização do autor.

Após vários e intensos meses onde o panorama político tendia à confusão, estratégia comum numa guerra, é possível atualizar essa série de artigos que venho analisando há aproximadamente cinco anos, a respeito dos cenários de enfrentamento entre os interesses ocidentais e as potências do eixo Beijing-Moscou e seus satélites.

O conflito da Síria que se tornou um exemplo da transformação da Guerra moderna e de como a teoria do choque de civilizações se materializou na esfera política, ao mesmo tempo em que a reconfiguração do Oriente médio pressagia o colapso da teocracia iraniana, as novas relações políticas e comerciais amistosas entre os vizinhos árabes e israelenses, bem como o fracasso da pretensão neo-imperialista dos turcos no norte da África, no mar egeo e no norte da Síria com que pretendiam capitalizar sua posição de estado Central no mundo islâmico. Essa é a mais importante das razões para afastar os turcos da União Europeia.

O desgaste político, econômico e militar do regime iraniano, que trata de suster a um debilitado Bashar Al Assad na Síria, somado aos golpes militares sofridos no Iraque depois da morte de Qasseim Soleimani (ato que transformou o panorama politico da região), o que põe fim à política expansionista dos aiatolás e compromete suas ações paramilitares por todo o mundo. Além disso, a recente aparição do COVID-19 (a peste chinesa), limita bastante a liderança interna dos aiatolás, enfraquecida por sanções econômicas e pelos preços historicamente baixos do petróleo, o que indica um inevitável colapso político.

A aparição de uma boa liderança na oposição do regime, que termine de capitalizar o que, em minha opinião, é o cenário ideal que se viu em anos para mudar o sistema do país persa. A oposição iraniana deve se aproveitar da onda de transformação que toma o Oriente médio. A posição comprometida dos iranianos afeta as forças Quds que atuam na América do Sul, cujo principal bastião está na Venezuela, após a queda de Evo Morales na Bolívia e a perda dos campos de cocaína do Chapare.

A relação Irã-Venezuela tende a ser fortalecida ainda mais neste panorama global adverso onde ambos os regimes coincidem com o interesse vital de sobreviver a um inimigo comum. A guerra contra o terror que durante o governo Obama havia permitido aos iranianos tomar posições estratégicas importantes a nível global, em conjunto com o regime venezuelano e, com apoio econômico, político e tático do eixo Beijing-Moscou, hoje está em franca decadência em todas as frentes, excetuando-se talvez o Iêmen.

A política de Trump a respeito dos iranianos e venezuelanos vai tomando força, à medida que as sanções econômicas vai debilitado os regimes revolucionários.

A respeito da Venezuela, somente a debilidade político-ideológica da oposição ao regime chavista explica o fracasso, até agora, de uma estratégia global contra o terrorismo e seus patrocinadores antiocidentais.

Não houve líder político com maior apoio no mundo ocidental que Juan Guaidó que, no entanto, insiste numa política errática, contrária inclusive aos interesses norte-americanos. Um fator determinante nesse ponto é precisamente o terceiromundismo como ideologia imperante na civilização latino-americana, que enfatiza novamente a teoria do choque de civilizações.

A “oposição” venezuelana insiste em apresentar uma estratégia que supostamente levaria a uma quebra interna dos fatores de poder que sustêm o chavismo, apostando em um esquema de trabalho que levaria as Forças Armadas a deporem o tirano Maduro, entregando em seguida o poder a Guaidó. Para a “oposição” liderada por Guaidó uma intervenção militar dos Estados Unidos seria inaceitável.

Nesse sentido, Donald Trump começou 2020 pedindo contas aos atores políticos envolvidos no caso Venezuela, evidenciando-se que se pôs à frente da situação, plantando uma situação de desgaste do regime chavista, que pela velocidade das ações e circunstâncias, pode-se chegar ao fim no primeiro trimestre de 2021.

Levando-se em conta os critérios econômicos e de eficácia, Trump pavimenta uma estratégia de conflito gradualista, onde as sanções econômicas e políticas irão apertando o chavismo e obrigando-lhes a tomar ações cada vez mais desesperadas para a obtenção de fundos, especialmente nas operações do narcotráfico, que justificariam uma operação militar no país sul-americano.

Enquanto Cuba mantiver tropas no país, é pouco provável que a FANB (Força Armada Nacional Bolivariana) leve a cabo uma operação militar exitosa contra Nicolás Maduro.

O fator ideológico imperante nos líderes revolucionários torna pouco provável que cedam ante alguma negociação para abandonar o poder. O cenário com maior probabilidade é o do inevitável confronto armado entre tropas chavistas e dos EUA.

Ante o recente anúncio por parte do departamento de justiça, tesouro e Estado de fixar um preço pela cabeça dos principais líderes do chavismo fica clara a mensagem política: Maduro perdeu sua oportunidade de negociar uma saída pacífica com imunidade. Só lhe resta o caminho da entrega ou do confronto: e ainda não vimos o primeiro revolucionário na história entregar-se voluntariamente aos EUA.

O fator COVID-19 também tem papel importante na Venezuela: assim como no Irã, as instituições políticas que sustêm o poder chavista ver-se-ão colapsadas e acelerarão o processo de mudança do regime. Todos os fatores geopolíticos conjugam-se para isto. A Rússia, atacada pelos sauditas, direciona sua política externa para o Oriente médio e não virá ao socorro de Maduro. A China, por outro lado, mente sobre sua situação econômica e de saúde, eno momento não tem capacidade de manobra para auxiliar Maduro.

A sorte está lançada!

Texto original em espanhol do jornalista venezuelano Joelvin Villarreal.

Tradução para o português de Davi Valukas, com autorização do autor.

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Davi Valukas

Davi Samuel Valukas Lopes nasceu no dia 06 de setembro de 1985, na cidade de Araraquara, no interior paulista. Filho de um trombonista, começou os estudos musicais no saxofone em 1996 na Congregação Cristã no Brasil, onde toca até os dias de hoje. Tornou-se instrutor musical na mesma igreja no ano de 2002, até o ano de 2016. Estudou piano clássico por quatro anos e guitarra blues por um ano. Ministrou oficinas de musicalização de 2009 a 2012 pela Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara. Foi um dos fundadores de um projeto de musicalização infantil na periferia da cidade, no Jd. das Hortências, chamado Família Afro Son. Trabalhou na composição e interpretação da trilha sonora de espetáculos de dança junto com outros músicos de Araraquara. Mudou-se para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, em 2012. Na cidade, ministrou aulas de saxofone e teoria musical, tocou um ano e meio na Jazz Band Ladário Teixeira e atuou na área de Treinamento e Educação Corporativa de 2016 a 2019. Monarquista convicto, é co-fundador do Círculo Monárquico de Uberlândia. É graduado em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduado em Docência.

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