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CHEFIA DO MP BRASILEIRO CONTRA A ESCOLA SEM PARTIDO

PARTE DOS MEMBROS QUEREM ESCOLA DE VERDADE

Minha mãe era professora de Língua Portuguesa. Minhas tias eram professoras, minhas primas eram e são professoras, minha irmã e meu cunhado são professores. Nasci em meio a livros de gramática, literatura e livros de chamada. Cresci dentro de salas de aula, vendo a minha mãe estudar e dar aulas. Nas greves, quando ela era diretora de escola, ela me levava para a escola dela e me deixava na biblioteca lendo ou me colocava na sala de aula de alguma professora que não aderira ao movimento.

Desde que aprendi a ler e escrever, passei a ajudá-la a corrigir provas e a preencher os livros de notas dos alunos. Não nasci com talento para o magistério, mas desde pequena eu conhecia a lei 5.692, quase decor, dum tempo em que aluno que não estudava e não tinha disciplina reprovava e era expulso da escola, em que estudava quem queria. Portanto, o assunto educação sempre foi do meu interesse.

Há alguns anos, eu venho percebendo um declínio acelerado na qualidade do conhecimento dos jovens estudantes que fazem estágio no Ministério Público, sob a minha supervisão, seja de graduação, seja de ensino médio. Se no início o problema era relacionado ao uso correto da língua portuguesa, nos últimos seis anos, percebi um declínio na formação jurídica até mesmo daqueles oriundos da que considerava a melhor faculdade de direito da cidade. Aliada à fraca formação, tornou-se visível a contaminação ideológica no ensino jurídico.

Em 2014, enquanto coordenadora do Grupo de Estudos de Promotores da região norte do Paraná, organizei um curso de Língua Portuguesa, direcionado a Promotores de Justiça, Servidores e estagiários, que abordou desde temas mais simples de gramática até coesão de texto e redação  e o novo acordo ortográfico.

A deficiência dos estudantes só se aprofundou, de modo que alguns testes seletivos para admissão de estagiários simplesmente resultaram em 100% de reprovação já na primeira fase.

Com relação à contaminação ideológica, os estudantes começaram a apresentar, digamos assim, um extremo afeto pelo criminoso, em especial pelo traficante de drogas. Tive um caso de um estagiário que, achando que eu não leio e nem corrijo o que assino, tentou me enganar fazendo uma promoção de arquivamento num caso em que o investigado deveria ser denunciado por tráfico de drogas, do que ele fora advertido por um membro mais antigo da minha equipe. Foi dispensado, obviamente, descoberta a evidente má-fé na situação.

Após algumas advertências aos estagiários sobre o papel do Ministério Público no processo penal, e tendo entendido que eles estavam sendo adestrados dentro das faculdades, criei um grupo de leitura no qual eu lhes forneço livros com uma visão diversa daquela ensinada nos bancos escolares. E eles começaram a ler Beccaria, Von Lizst, Mises, Olavo de Carvalho, Dalrymple, Darrel Huff, Dostoiévski, Aldous Huxley, George Orwell, Peter Kreeft, C.S. Lewis, Flávio Gordon, Alexandre Costa, Diego Pessi e Leonardo Giardin, Fausto Zamboni, etc…, o que num primeiro momento lhes causou um forte impacto diante de um universo que desconheciam totalmente, comprovando o que eu já imaginava, que é a imposição de uma única visão dentro das escolas e universidades.

A minha advertência foi a seguinte: não levem os livros para a escola, pois vocês podem sofrer alguma represália e entrar em discussões desnecessárias. Primeiro, fortaleçam seus espíritos e suas mentes.

Certa vez, uma estagiária de ensino médio pediu para ler A Nova Era e a Revolução Cultural, do Professor Olavo de Carvalho. Eu lhe disse que achava que ainda era cedo, mas ela insistiu. Renovei a advertência e lhe entreguei o livro, ao que ela me respondeu que seu professor de Filosofia dissera que eles deveriam ler absolutamente tudo, sem preconceito.

Desobedecendo a minha advertência, ela levou o livro para a escola e estava lendo durante o intervalo, quando foi abordada pelo tal professor de Filosofia, que pediu para ver o livro e ao constatar que era do Professor Olavo, ficou transfigurado e disse categoricamente que ela não deveria ler tal autor. Ela lhe perguntou, candidamente, se ele já havia lido alguma obra do Olavo e ele respondeu que tinha visto uns vídeos no Youtube e lidos uns posts no Face, mas que sabia que era um autor que não deveria ser lido.

No ano passado, um novo estagiário de ensino médio, aluno da mesma escola, disse que algumas aulas estavam insuportáveis, tamanha a dedicação dos professores a falarem de política, fora do contexto das matérias; que os professores gastavam muito tempo falando mal do candidato Bolsonaro e que alguns alunos que não concordavam estavam se sentindo constantemente constrangidos pelos professores e pelos demais alunos; que estava cansado de estudar Marx e Kant, dentre outros da mesma linha, na aula de filosofia. Eu perguntei como fora o estudo dos filósofos clássicos e ele disse que tiveram apenas uma passada muito breve. Ele me disse que a professora menos “doutrinadora” ou mais discreta era uma professora de Sociologia. No entanto, no final do ano, a professora organizou um seminário durante um fim de semana e estava estimulando os alunos a participarem. Na semana do evento, descobriu-se que o seminário trataria de questões de gênero e direitos dos LGBTs. Meu estagiário disse que estava propenso a não participar, mas estava com medo de represálias. Não sei se ele foi ou não. Não quis perguntar.

Meus estagiários de graduação dizem que as semanas jurídicas focam temas como legalização de drogas, ideologia de gênero, novas formas de família, vitimização dos criminosos, direitos humanos, os males do cárcere, etc… Eles também me contam como tem visto amigos e parentes saindo destruídos das faculdades, onde passam por um profundo processo de lavagem cerebral revolucionária.

Pois bem, nesta semana, o Ministério Público do Paraná soltou uma nota pública assinada pelo Procurador-Geral de Justiça acerca da Escola sem Partido, colocando a instituição contra qualquer mudança no sistema de ensino, proposta pelo Movimento Escola sem partido, aderida pelo novo governo federal.

Diz a nota:

O Ministério Público do Paraná, na qualidade de defensor da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, no exercício de sua missão constitucional prevista no art. 127 da Constituição Federal, ao largo de quaisquer matizes ou correntes ideológico partidárias, em face das propostas conhecidas como “escola sem partido” ou “lei da mordaça”, e dos projetos de leis e legislações que dela derivam, vem a público:

– Afirmar seu compromisso inflexível e inabalável quanto à observância da supremacia da Constituição Federal, com a intransigente defesa de suas cláusulas e, assim, também com o direito à educação plural e livre, a gerar o pleno desenvolvimento das pessoas e a sua capacitação para o exercício da cidadania (art. 205 da Constituição Federal), respeitados os princípios da liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, bem como do pluralismo de ideias, do respeito à liberdade, do apreço à tolerância, da consideração com a diversidade étnico-racial e vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais, consagrados no art. 206, incisos I, II e III da Constituição Federal e no art. 3º, incisos II, III, IV, XI e XII, da Lei das Diretrizes e Base da Educação Nacional.

– Reiterar seu dever legal e constitucional de velar pela liberdade de consciência, de crença e de cátedra e pela possibilidade ampla de aprendizagem (art. 206 da Constituição Federal), observado o princípio da laicidade do Estado brasileiro (art. 19, I, da Constituição Federal);

– Renovar seu compromisso com o comando constitucional de que a escola é ambiente científico adequado para a difusão dos valores da cidadania, da dignidade da pessoa humana, dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e do pluralismo político, indispensáveis para a consecução dos objetivos fundamentais da República, tais como a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (arts. 1º e 3º da Constituição Federal);

Repudiar qualquer tentativa de estabelecimento de vedações genéricas de conduta que, a pretexto de evitarem a doutrinação de estudantes, possam gerar a perseguição de professores e demais servidores públicos da educação no exercício de suas atribuições, comprometendo os princípios fundantes da democracia brasileira, previstos nos incisos IV (“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”) e IX (“é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”), do art. 5º da Constituição Federal.

– Reafirmar seu dever de cumprir e fazer observar os termos dos tratados internacionais ratificados pelo Brasil, especialmente aqueles que estabelecem ser a educação, sem qualquer cerceamento de pensamento e opinião, instrumento eficaz para capacitar as pessoas a participarem efetivamente de uma sociedade livre (art. 13 do Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais) e para combater preconceitos baseados na premissa da inferioridade ou superioridade de qualquer dos gêneros, que legitimem ou exacerbem a violência contra a mulher (art. 8º, b da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra Mulher).

Assim, o Ministério Público do Paraná vem ratificar integralmente a Nota Técnica n° 30, do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG), formulada pelo seu Grupo Nacional de Direitos Humanos (GNDH) e já subscrita pela Procuradoria-Geral de Justiça do Paraná, conclusiva quanto à inconstitucionalidade das propostas legislativas conhecidas como da “escola sem partido”, cabendo aos seus membros atuar judicial e extrajudicialmente para garantir a educação pública de qualidade, coibindo as tentativas de estabelecer proibições vagas e genéricas de controle do conteúdo pedagógico desenvolvido nas escolas. (negritei)

(http://www.comunicacao.mppr.mp.br/arquivos/File/ASCOM/Nota_tecnica2018_30_Pluralismo_liberdade_catedra.pdf )

Essa nota do PGJ, que apenas repete a nota técnica do Conselho Nacional de Procuradores de Justiça, portanto representa o pensamento dos administradores do MP nacional, é um clássico do duplipensar que aprendemos a identificar com George Orwell – Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força, que nada mais é do que a velha dialética-marxista-leninista.

O que o movimento Escola Sem Partido busca é exatamente acabar com a imposição de um pensamento único dentro das escolas, que é o acontece atualmente em cada escola, em cada faculdade, salvo raríssimas exceções que não conheço.

O carioca Flávio Gordon demonstra cabalmente em seu livro A corrupção da inteligência a destruição de mentes que tem sido promovida dentro das universidades pela imposição da revolução cultural gramsciana.

Fausto Zamboni, em seu livro Contra a Escola, mostra como um sistema de ensino voltado ao adestramento dos estudantes tem sido aplicado há décadas no Brasil, um ensino que se afastou da Educação Clássica para formar verdadeiros zumbis militantes na defesa dos partidos de esquerda.

Pascal Bernardin, em Maquiavel Pedagogo ou o ministério da reforma psicológica, conta como a Unesco e outros organismos internacionais, por meio de métodos de engenharia social, realizaram uma reforma pedagógica mundial, a fim de impor um pensamento único, que objetiva não formar cidadãos livres e autossuficientes, munidos de conhecimentos universais, mas sim criar exércitos de militantes que aceitem passivamente as ordens de certos grupos e certas elites mundiais, sem qualquer crítica.

Quando a nota do Ministério Público diz velar pela liberdade de pensamento, ela quer dizer do pensamento imposto pela ONU e pela Nova Ordem Mundial, excluindo qualquer resquício da cultura nacional, inclusive religiosa; quando ela defende ensino plural, ela quer dizer ensino marxista, freiriano, que já conhecemos bem pela enorme capacidade de entregar diplomas para semi-analfabetos; quando ela fala em pluralismo político, ela quer dizer pluralismo desde que signifique qualquer vertente da esquerda mundial; quando ela fala em liberdade religiosa e destaca o princípio da laicidade do estado, ela quer dizer liberdade religiosa desde que seja ateísmo ou qualquer outra crença que não seja o cristianismo.

Segundo pesquisa, cerca de 90% da população brasileira se diz cristã. O Brasil é  segundo pais mais cristão no mundo, mas o Ministério Público, que se diz defensor da sociedade, quer impor ao povo brasileiro sua crença e sua vontade, que também não é sua, pois o seu verdadeiro patrão vive em palacetes na Quinta Avenida em Nova York e em outros endereços muitos caros no exterior e um dos seus intermediários repousa à beira do East River, em Midtown Manhattan, em um terreno doado por Nelson Rockfeller – sob o nome United Nations Organization. O Ministério Público se tornou um braço da nova ordem mundial que quer criar um novo homem, no seu admirável mundo novo.

https://mundotop10.com/top-10-paises-com-o-maior-numero-de-cristaos/

http://200.142.14.29/portal/genero-lgbt-e-laicidade

Dê uma olhada pelas páginas do Ministério Público de cada estado, do Ministério Público Federal e do CNMP e veja qual é o projeto para o povo brasileiro que está sendo inoculado em nosso país.

O que a Escola sem partido quer é retirar os alunos desse processo de lavagem cerebral e lhes devolver o verdadeiro direito à educação, permitindo até que os pais eduquem seus filhos em casa, o que simplesmente é inaceitável por aqueles que querem nos impor uma ditadura, com um discurso de defesa da democracia.

Lembrem-se, meus leitores, que membro do Ministério Público já foi categórico em afirmar que os filhos não pertencem aos pais, mas ao Estado. Diante de tudo que temos visto, não me parece que seja uma opinião pessoal, mas uma posição institucional. 

Fiquemos alertas. O preço da liberdade é a eterna vigilância.

De minha parte, exercitando a minha liberdade de expressão, já manifestei a minha discordância com a nota. E não se trata de defender um projeto de lei, mas de defender um novo BRASIL. 

Parte dos membros já fizeram um manifesto em prol da educação de verdade em apoio ao movimento escola sem partido.

 “Acusai-nos de querer abolir a exploração das crianças por seus próprios pais? Confessamos este crime.

Dizeis também que destruímos os vínculos mais íntimos, substituindo a educação doméstica pela educação social.

E vossa educação não é também determinada pela sociedade, pelas condições sociais em que educais vossos filhos, pela intervenção direta ou indireta da sociedade, por meio de vossas escolas, etc.? Os comunistas não inventaram essa intromissão da sociedade na educação, apenas mudam seu caráter e arrancam a educação à influência da classe dominante.”  (Engels e Marx em Manifesto do Partido Comunista).

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Cláudia Morais Piovezan

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina; Mestre em Direito Comparado e Ambiental pela Universidade da Flórida, Gainesville-FL; Idealizadora e organizadora do Fórum Educação, Direito e Alta Cultura; Aluna do Curso On line de Filosofia; Promotora de Justiça da Comarca de Londrina, no Estado do Paraná.

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