Eloi Veit
Em Alta

LEMBRETE INDISPENSÁVEL

Basta um apontar o erro no tempo certo que a casa não cai.

Não estude filosofia, estude a realidade. Este juízo, expressado por Eric Voegelin, é para os estudos políticos aquilo que Louis Lavelle expressa na sua teoria do ser. Este nos lembra que tudo, absolutamente tudo é ser. Aquele nos lembra que tudo absolutamente tudo é realidade.
E é exatamente isto que o Filosofo Olavo de Carvalho nos lembra no “Lembrete Indispensável” do dia 15 de janeiro de 2019. E é por esta capacidade de estudar a realidade, e compreendê-la e dizê-la que ele é profundamente odiado por grande parte da intelectuália brasileira, ainda com poderes de dizer alguma coisa neste momento importante de nossa história brasileira.
Neste “lembrete” ele lembra que exigir capacidade técnica ou observar a ideologia de um indivíduo tem muito pouco a ver com política, é antes uma estupidez. Observa que os critérios de avaliação de um sujeito, principalmente se é alçado nalgum posto de poder no Estado, devem ser norteados principalmente pela busca da identificação dos seus vínculos reais com as diversas estruturas de poder, mandantes no mundo.
Pode parecer estranho, principalmente para aqueles que pouco se interessam em estudar fenômenos intrincados como a tal política. No entanto, se formos nos debruçar sobre o que seja poder veremos que – poder é ser obedecido. É fazer com que os outros façam o que se quer que façam. Simples assim?
Ser obedecido não é fácil. Como então o poder se exerce? Para que se consiga fazer os outros fazerem aquilo que se quer que façam é necessário ter sob seu domínio os meios de fazê–los fazer. Ser obedecido é um desejo e juntado aos meios adequados é poder. Nietsche dizia que toda ação humana era norteada pelo “desejo de poder”, não estava errado neste detalhe. Para obter o poder tudo o que interessa são os meios e aí mora a questão central: como obter os meios?
Uma das maneiras de obtê-los é o que se chama propaganda, e disto os antigos italianos fascistas e os antigos alemães nazistas entendia muito; e ensinaram a técnica para o mundo inteiro. Entendiam claramente que precisavam “vender um conjunto de ideias”, mas estavam se lixando para tudo o que dissesse respeito às próprias ideias; o que interessava era que suas ideias, uma vez aceitas pela massa, lhes daria justificação para seus interesses, que nada mais era que desejo de poder.
Daqui poderíamos ir longe e concluir que, sempre e sempre, ideologias servem para mascarar uma intenção, são como que vestidos de ideias: servem para encobrir o que fundamentalmente interessa – Poder.
Alguns esquemas de poder tem a capacidade de se delongar no tempo, passam além de uma vida, ultrapassam gerações. Veja-se o exemplo do movimento revolucionário internacional – já mudou de ideologia, de vestido, centenas de vezes e continua até hoje reivindicando poder. Outro é o exemplo do grande movimento globalista mega-capitalista moderno, muito atuante aqui no brasil já há algumas décadas.
Ao fim e ao cabo, são estes os agentes históricos reais, são eles os que executam movimentos de longo alcance territorial e temporal. Agentes históricos individuais só são encontrados na esfera profética, só grandes profetas são agentes no sentido aqui indicado, e são todos individuais.
O indivíduo comum não tem nada a ver com isso. Ele sempre estará inserido em algum esquema de ampla envergadura e muitas vezes nem percebe que as coisas são assim; está como que boiando num fluido de acontecimentos que são dirigidos pelos agentes históricos reais, nada mais.
O fenômeno do poder é algo absolutamente real, só que ele se dá no intelecto humano, aliás como tudo o que nos diz respeito. Quando na realidade política brasileira fatos como estes são apontados num “Lembrete”, aliás indispensável, muitos ficam ofendidos.
Quando aparece um, e nestes últimos anos tem sido quase sempre o mesmo, e informa que é estupidez usar como critérios de avaliação para cargos de alta envergadura somente a ideologia ou a capacidade técnica, deveríamos agradecer ao mesmo o lembrete e dar graças a Deus que um especialista em realidade exista entre nós.

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