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Cinco bons motivos para apoiar a demissão de Mandetta

Nos primeiros dias da pandemia eu disse que o Mandetta estava fazendo um bom trabalho. Porém, após várias situações complicadas de desalinhamento com o presidente, além de algumas presepadas, sua permanência no governo ficou insustentável.

Seguem abaixo cinco pontos que considero essenciais para entender porque o presidente Jair Bolsonaro acertou ao demiti-lo:

1- verba para combater pandemia: Mandetta enviou, no mês de março, um ofício ao Ministro Paulo Guedes solicitando a soma astronômica de 410 bilhões de reais para combate à pandemia. Ao saber disso, Bolsonaro procurou o então ministro para questionar sobre o caso. Mandetta respondeu que o algarismo 4 havia sido colocado por engano, no lugar do cifrão, e teve que pedir a devolução do documento para as devidas correções. Agora imagine você a diferença de 400 bilhões sendo indevidamente injetada em um Ministério por um erro de digitação grosseiro que passou despercebido pelo chefe da pasta na hora da assinatura;

2- uso da hidroxicloroquina: no meio de uma pandemia não há tempo para que todo o processo de testes seja realizado, provando e contra-provando a eficácia de um medicamento. A Prevent Sênior, empresa do ramo de saúde, já vinha utilizando e atestando a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento desde os primeiros sintomas. Além disso, médicos americanos já haviam anunciado que os resultados vinham sendo satisfatórios. Porém, Mandetta retardou a liberação do medicamento, trazendo impactos consideráveis;

3- adiamento do pico da doença: Mandetta ficou conhecido por utilizar a estratégia de dar coletivas diariamente, informando à imprensa os números atualizados da pandemia. Até aí tudo bem. Contudo, o que chamou atenção foi a mudança recorrente de datas relacionadas ao pico da pandemia. Primeiro abril, depois maio, depois junho, depois agosto… de Deus!

4- alinhamento político com o centrão: como se sabe, Mandetta é um político filiado ao DEM, partido de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, presidentes das duas casas legislativas. E todos nós estamos acompanhando a guerra de poder entre o Legislativo e o Executivo. Tal guerra ganhou contornos cinematográficos após o início da pandemia, pois alguns governadores e prefeitos se aproveitaram da situação para demonstrar sua aptidão autoritária, com o agravante de nomes como João Dória (SP), Wilson Witzel (RJ) e Ronaldo Caiado (GO), que pegaram carona na onda conservadora para se eleger em 2018 (Caiado era aliado há mais tempo, mas também embarcou na estratégia suicida), estarem utilizando a crise como uma forma de se projetarem como possível nome do centrão para as eleições majoritárias de 2022. E Mandetta deu diversas declarações que demonstraram seu alinhamento a essa estratégia. Aguardemos para saber de que maneira ele se beneficiará disso tudo;

5- defendido pela esquerda: historicamente o DEM, antigo PFL (Partido da Frente Liberal), foi considerado pela esquerda um partido burguês e que defende os interesses neo-liberais das grandes oligarquias. O próprio Mandetta, que defende privatizações inclusive na área da saúde, tinha esse carimbo na testa. Contudo, desde que os atritos entre ele e o Presidente da República começaram a ser ventilados pela imprensa, o primeiro escalão da esquerda nacional começou a defendê-lo efusivamente, principalmente pelas redes sociais com a hashtag #ficamandetta. É evidente que não houve um novo entendimento de nomes como Marcelo Freixo e Maria do Rosário quanto às atribuições do Estado em relação à saúde pública. O facto é que a estratégia elucidada no ponto 4, que evidentemente corrói algumas bases de apoio do governo se tiver algum êxito, favorece e muito aos partidos de esquerda, que viram seu prestígio diluído pela onda conservadora e pelo consequente efeito Bolsonaro. Implantar o caos na base governista é tudo o que a esquerda quer!

Em suma, Bolsonaro não podia manter em seu primeiro escalão um nome abertamente dissidente, que deixou o bom trabalho que vinha fszendo no início para brincar de xadrez político com o homem eleito por quase 58 milhões de brasileiros! Tchau, Luiz. Fique em casa!

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Davi Valukas

Davi Samuel Valukas Lopes nasceu no dia 06 de setembro de 1985, na cidade de Araraquara, no interior paulista. Filho de um trombonista, começou os estudos musicais no saxofone em 1996 na Congregação Cristã no Brasil, onde toca até os dias de hoje. Tornou-se instrutor musical na mesma igreja no ano de 2002, até o ano de 2016. Estudou piano clássico por quatro anos e guitarra blues por um ano. Ministrou oficinas de musicalização de 2009 a 2012 pela Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara. Foi um dos fundadores de um projeto de musicalização infantil na periferia da cidade, no Jd. das Hortências, chamado Família Afro Son. Trabalhou na composição e interpretação da trilha sonora de espetáculos de dança junto com outros músicos de Araraquara. Mudou-se para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, em 2012. Na cidade, ministrou aulas de saxofone e teoria musical, tocou um ano e meio na Jazz Band Ladário Teixeira e atuou na área de Treinamento e Educação Corporativa de 2016 a 2019. Monarquista convicto, é co-fundador do Círculo Monárquico de Uberlândia. É graduado em Gestão de Recursos Humanos e pós-graduado em Docência.

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