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A ENGENHARIA SOCIAL E O POVO BRASILEIRO NO BANCO DOS RÉUS

Na última semana, meu marido, que é advogado, atendeu uma pessoa que se inscreveu para o vestibular da Universidade Estadual de Londrina, na cota para negros. Foi aprovado na primeira fase e depois participou de uma entrevista para verificar a sua negritude declarada. Foi reprovado. Por isso, procurou um advogado para tentar questionar a decisão da comissão da universidade.

Na sexta-feira, conversando com meus estagiários, eles também comentaram conhecer pessoas que foram reprovadas na entrevista de negritude do vestibular da UEL.

Thomas Sowell, em seu livro escrito em 2004, Ação afirmativa ao redor do mundo, um estudo empírico sobre cotas e grupos preferenciais, da editora É realizações, afirmou e demonstrou que essas políticas de ações afirmativas produzem resultados relativamente pequenos para uns poucos e problemas enormes para a sociedade. Além disso, ele demonstrou que ao longo da vigência de tais políticas, novas elites vão se criando e fomentando novas formas de discriminação e disputas entre subgrupos.

O caso das cotas para negros no Brasil tem confirmado o que Sowell já alertou há 15 anos. Daí que foram se formando verdadeiros tribunais raciais nas universidades brasileiras, para julgar quem é suficientemente negro e, igualmente, deve já existir tribunais para julgar quem é realmente ou suficientemente portador de deficiência e em breve haverá para julgar quem é realmente lgbt ou mulher, já que a política de cotas só faz aumentar, estendendo ainda mais as divisões entre a população.

Enquanto na vida real jovens têm de enfrentar tribunais para demonstrar se são ou não negros o bastante, vemos o lançamento, sob os brados histéricos da militância esquerdista mundial, do filme Marighela, sobre o terrorista brasileiro que se quer tratar como heroi. O ator escolhido para o papel principal é indiscutivelmente negro. O verdadeiro, se fosse submetido a esses tribunais e não fosse militante comunista, seria reprovado, mesmo porque diz que na sua certidão de óbito ele consta como branco.

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2013/08/09/site-tem-arquivos-da-ditadura-digitalizados-certidao-de-obito-de-marighela-esta-entre-os-documentos.htm

Essas situações absurdas nos faz lembrar de um dos períodos mais tristes na nossa história civilizacional, o nazismo de Hitler, quando entraram em vigor As Leis de Nuremberg, que retiravam a cidadania alemã dos judeus e os proibiam de se casar ou ter relações sexuais com pessoas de “sangue alemão ou seus descendentes”. Posteriormente, tais relações passaram a ser conhecidas como “Infâmia racial”, e tornaram-se infração penal. As Leis de Nuremberg definiam “judeu” qualquer pessoa com três ou quatro avós judeus. Consequentemente, os nazistas classificaram como judeus milhares de pessoas que haviam se convertido a outras religiões e seus descendentes, inclusive freiras e padres católicos romanos e sacerdotes protestantes que tinham avós judeus.

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/the-nuremberg-race-laws

Aos poucos, o Brasil tem criado novas castas e tornado párias certos grupos, em especial o cidadão comum. Políticas públicas que criam privilégios para certas “categorias” de pessoas e excluem o restante da população nada mais fazem do que criar divisão e revolta, enquanto o desejável é que o estado brasileiro busque atender às necessidades de cada brasileiro, independentemente de qualquer outro requisito ou classificação. O julgamento que está em andamento no Supremo Tribunal Federal para decidir se vai ou não colocar a comunidade lgbt em novo patamar, elevando-o acima de qualquer outra categoria de brasileiros, busca criar crime sem prévia lei e ainda criar direito à indenização pelo estado em caso de alegado preconceito, é um desses exemplos estarrecedores e sem precedentes e, não obstante, tem sido aguardado e até aplaudido por uma parcela de cidadãos.

Pascal Bernardin dedica um capítulo de seu livro Maquiavel Pedagogo ou o ministério da reforma psicológica a explicar as técnicas de manipulação psicológica, que, segundo ele, apoiam-se essencialmente sobre o behaviorismo e a psicologia do engajamento. Os exemplos dessas técnicas muito bem-sucedidas são muitos e os estudos bastante conhecidos, tais como o da submissão à autoridade, realizado por Milgram, o conformismo, estudado por Asch, as normas de grupo, da experiência de Sherif, e as técnicas de “pé na porta” e “porta na cara”.

E como não enxergar todas essas experiências e técnicas sendo aplicadas em nossa sociedade há décadas e todas com tanto sucesso que as cobaias nem as percebem?!

Estão dividindo nosso povo e criando com isso enormes problemas de convivência, com a imposição de políticas recheadas de ideologia sem muita contestação, exceto dos tais “fundamentalistas”, que assim foram rotulados a priori pelo Ministro Celso de Mello antes mesmo de iniciar a leitura do seu extenso voto. Aliás a rotulagem prévia é mais uma dessas técnicas que objetivam calar os dissidentes, e que pode ser enquadrada na  experiência de submissão à autoridade.

O que assistimos nos últimos dias, saindo da boca de um ministro da corte mais alta do país, nada mais foi do que o que Sherif demonstrou com suas experiências relacionadas a normas de grupo, que se referiam à influência exercida por um grupo sobre a formação de normas e atitudes de seus membros, constatando que quanto mais difícil era formular um julgamento objetivo, mais estreita se fazia a conformidade à norma do grupo. “Sherif generaliza esses resultados até o “estabelecimento” de normas sociais, como os estereótipos, as modas, as convenções, os costumes, os valores”. Interrogando-se sobre a possibilidade de “fazer com que o sujeito adote (…) uma norma prescrita, ditada por influências sociais específicas”, ele submete o indivíduo em teste à influência de um companheiro prestigioso (um universitário), e logra obter que o sujeito ingênuo modifique sua norma e a substitua por aquela do companheiro de mais prestígio. (Maquiavel pedagogo)”. Assim, vimos o ministro citando Judith Butler, Simone de Beavoir, e até mesmo o advogado de uma das partes, além de empregar uma longa lista de termos da novilíngua progressista, querendo agradar ao grupo que ninguém tem coragem de enfrentar, temendo o assassinato de reputação e a desmoralização pela mídia esquerdista internacional.

É por meio da aplicação dessas técnicas de forma muito bem-sucedida que vivemos para ver o ministro Celso de Mello afirmar que ninguém nasce homem ou mulher, mas escolhe essa ou aquela condição, contrariando estudos de biologia e genética. Ora, se ninguém nasce macho ou fêmea, o ser humano deve ser o único mamífero com tal privilégio ou então o ministro, como a sua linguagem já demonstrou, capitulou, foi vencido ou se entregou à ideologia e já adentrou a segunda realidade que Eric Voegelin descreve e se tornou companheiro de viagem dessa ilusão, tal como Sancho Pança adentrou a ilusão de Dom Quixote.

Milan Kundera retratou, em seu livro A brincadeira, como funcionavam os tribunais revolucionários de estudantes nas universidades da Tchecoslováquia durante o regime soviético. O livro conta a história de um estudante brilhante, Ludvik, militante comunista, que faz uma brincadeira com a namorada Marketa, a quem queria impressionar, enviando-lhe um cartão postal com uma brincadeira com os seguintes dizeres:O otimismo é o ópio do gênero humano! O espírito sadio fede a imbecilidade! Viva Trótski! ”, numa época em Trotsky era um inimigo do regime stalinista. Submetido pelos seus amigos de militância a um tribunal universitário, no retorno das férias, foi condenado e enviado a um campo de trabalhos forçados e teve sua vida acadêmica e profissional destruída pela patrulha revolucionária.

O que dizer do recente tribunal informal montado na imprensa mainstream, na última semana, para destruir a carreira e a reputação da diretora de uma revista de moda, que teve a ousadia de contratar as famosas baianas para trabalharem na sua festa de aniversário, em Salvador?

Logo, além dos tribunais universitários e da militância esquerdista mundial, teremos o Supremo Tribunal Federal decidindo quem é negro o suficiente para receber certos privilégios do estado, comprovando mais um acerto de Thomas Sowell ao dizer que “se o estudo da história é uma das maneiras de evitar repeti-la, existe muito da história das políticas de ação afirmativa ao redor do mundo que jamais deveriam ser repetidas”. Outro acerto de Sowell é afirmar que quem cria esses problemas nunca aparece para admitir e consertar os erros. Ao contrário, sempre se oferece para aprofundá-los com novas propostas ainda mais grotescas.

Enfim, sendo submetidos a diversas técnicas de manipulação psicológica, estamos permitindo que tribunais de exceção funcionem em nosso Brasil, dentro de universidades e órgãos públicos, refletindo já no presente e projetando para o futuro uma enormidade de problemas que não sabemos se seremos capazes de resolver.

Se houve um tempo em que todos eram incentivados a buscar as suas raízes negras para aumentar o contingente de descendentes de negros e escravos para o bem do movimento militante político-racial, agora, aqueles que se apresentaram estão sendo discriminados e julgados pelos seus próprios “pares”. E o pior, temo que tudo que vimos até agora foi a aplicação da técnica de engenharia social “pé na porta”. Se os cidadãos de bem, conscientes dos perigos desse tipo de totalitarismo, não se apresentarem para desmascarar toda essa farsa, tribunais bem piores podem se instalar, com seu duplo grau de julgamento moral. As leis de Nuremberg permitiram seis milhões de judeus mortos em holocausto. Os tribunais de Moscou e outros tantos do regime socialista já ultrapassaram 100 milhões de vítimas. O que esperar do tribunal brasileiro, que já rotulou previamente de fundamentalistas e radicais todos os que discordarem do Supremo Tribunal Federal e da agenda lgbt?!

https://mciradio.com.br/o-principio-constitucional-da-reserva-legal-sob-ataque-no-stf/

https://mciradio.com.br/cotas-e-politicos-uma-receita-para-o-caos-2/

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Cláudia Morais Piovezan

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina; Mestre em Direito Comparado e Ambiental pela Universidade da Flórida, Gainesville-FL; Idealizadora e organizadora do Fórum Educação, Direito e Alta Cultura; Aluna do Curso On line de Filosofia; Promotora de Justiça da Comarca de Londrina, no Estado do Paraná.

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