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OS MINISTROS E OS TEMPLÁRIOS

                                                                                           “Tanto melhor, combateremos à sombra!”. (Rei Leônidas)

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. (João, 8:32)

Com esse versículo bíblico, que se tornou o lema da campanha do novo Presidente da República, o Chanceler Ernesto Araújo começou o seu magnífico discurso quando se armou cavaleiro, quer dizer, tomou posse como Ministro das Relações Exteriores.

Se já havia me comovido com o discurso do Ministro Moro, com Ernesto Araújo eu fui às lágrimas. Sua promessa de defesa incondicional de nossa pátria, de nossos valores e de nossa crença resgatou todo o meu patriotismo e me deu esperança de que nosso país ainda não alcançou o seu máximo potencial. O Ministro deixou evidente a amplitude do círculo de latência de nossa nação, por isso, ao longo da fala de cerca de 32 minutos, um aforismo grego famoso me veio à mente: Conheça-te a ti mesmo, uma das máximas de Delfos.

O Brasil precisava e ainda precisa se conhecer, buscar e alcançar suas virtudes.

O Ministro Ricardo Vélez Rodriguez, em sua posse, discorreu sobre a jornada empreendida pelo então deputado federal Jair Messias Bolsonaro, ao longo de dois anos, para conhecer o Brasil profundo, ouvindo as pessoas mais simples e conhecendo as dificuldades do povo brasileiro, fora das garras da burocracia e longe dos gabinetes chiques e refrigerados do círculo do poder. O Presidente da República viveu a sua odisséia e teve de descer ao inferno, enfrentando a morte tal como inúmeros grandes homens e personagens épicos da literatura ocidental, para retornar e tentar cumprir o que parece ser a sua missão. (sobre descidas ao inferno, sugiro a palestra do Jornalista Paulo Briguet, no Fórum E.D.A. https://www.youtube.com/watch?v=84Bx3fMO6Zk)

Lima Barreto, em seu livro de ensaios, os Bruzundangas, descreve uma estranha nação chamada de Bruzundanga: “Velha, na sua maior parte, como o planeta, toda a sua missão tem sido criar a vida e a fecundidade para os outros, pois nunca os que nela nasceram, as que nela viveram, os que amaram e sugaram-lhe o leite, tiveram o sossego sobre o seu solo.” O Chanceler nos mostrou a nossa condição de Bruzundanga e demonstrou ter a exata noção de nossa triste sina que deseja encerrar em breve  ao dizer que libertará o Itamaraty, colocando-o a serviço dos brasileiros, que não se prestará mais a servir a outras nações e a instituições internacionais e globalistas. Nisto, também é seguido pelo Ministro Ricardo que afirmou que nossa educação não receberá mais influência de instituições internacionais cujos representantes não recebem votos nem mesmo da população de seus países de origem e nada sabem sobre a nossa gente.

Recentemente, algum perdedor ressentido, acreditando que estaria xingando o novo Chanceler, chamou-o de Templário pelas ideias que ele defende, ratificadas em sua posse, tentando rotulá-lo de arcaico, anacrônico. O que deveria ser uma ofensa para o ofensor considero, na verdade, um verdadeiro elogio ao alvo pretendido. O Chanceler se apresentou como um guerreiro que lutará bravamente para resgatar nossos valores e nossa dignidade, demonstrando coragem de enfrentar o status quo ao afirmar: “Não tenho medo de ser Brasil, nós não nos lembramos daqueles que ficaram em casa”.

A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (em latim: Pauperes commilitones Christi Templique Salomonici), conhecida como Cavaleiros Templários, Ordem do Templo, surgiu no ano de 1118, na Idade Média, fundada por 8 cavaleiros, como um rescaldo da Primeira Cruzada, faziam voto de pobreza, de castidade, devoção e obediência, e tinham o propósito original de proteger os cristãos que voltaram a fazer a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_dos_Templ%C3%A1rios

Os templários nasceram para combater bárbaros que atacavam os cristãos na idade média, mas os bárbaros estão novamente em nosso quintal. Mário Ferreira dos Santos, o maior filósofo brasileiro, escreveu um livro-denúncia em 1967, A invasão Vertical dos Bárbaros, no qual tentou abrir os nossos olhos para a invasão vertical de bárbaros que está em andamento há cerca de quatro séculos.

      “Na verdade, a invasão que é a penetração gradual e ampla dos bárbaros não só se processa horizontalmente pela penetração no território civilizado, mas também verticalmente, que é a que penetra pela cultura, solapando os seus fundamentos, e preparando o caminho à corrupção mais fácil do ciclo cultural, como aconteceu no fim do Império Romano, e como começa a acontecer agora entre nós.

       (…)

       À exclamação dos romanos: “bárbaros extramuros!” (os bárbaros estão fora dos muros das cidades, da civilização) hoje podemos responder: “bárbaros intramuros!” (os bárbaros já se acham dentro do âmbito cercado pelos muros, em plena civilização assumindo aspectos, vestindo-se com trajes civilizados, mas atrás dessa aparência, atuando desenfreadamente para dissolver a nossa cultura).

A nossa precária formação, produto das políticas educacionais atuais que serão demolidas pelo novo Ministro da Educação, nos fez acreditar que a idade média foi realmente a idade das trevas, mas a criação da nossa cultura mais elevada só foi possível graças aos religiosos estudiosos que se enclausuraram em mosteiros e graças aos guerreiros cristãos, como os templários, que lutaram incessantemente, após a queda do Império Romano, para expulsar os bárbaros de diversas origens que tentavam dominar horizontalmente a Europa.

Christopher Dawson, em Criação do Ocidente – a Religião e a Civilização Medieval, mostra como a nossa cultura se formou durante a idade média, época em que os cristãos conseguiram amalgamar a cultura greco-romana, o direito romano e a religião judaico-cristã e converter os bárbaros invasores. 

       “A cultura do Ocidente é a atmosfera mental e emocional que há muito respiramos. Trata-se do ambiente que determina nosso modo de vida, assim como determinou o modo de vida de nossos antepassados. Portanto, não a conhecemos por meros meios documentais e arqueológicos, mas por causa de nossas próprias experiências.”

Ocorre que o Marxismo Cultural, o Gramscismo, citados pelo Ministro Vélez Rodriguez, e os intelectuais da Escola de Frankfurt, seguidos à risca pelos governos anteriores, tentam destruir os pilares da nossa sociedade, a cultura greco-romana, o direito romano e a religião judaico-cristã e é exatamente esse novo tipo de barbarismo que os Ministros das Relações Exteriores, da Educação e até mesmo o da Justiça irão combater e, em seus discursos, os novos ministros explicitaram o seu conhecimento profundo da guerra que vivemos e das estratégias dos nossos inimigos. (artigo sobre a posse de Sérgio Moro : https://mci.radio.br/claudia-piovezan/a-justica-que-todos-desejamos-o-brasil-com-o-qual-tanto-sonhamos/)

O Chanceler, referindo-se a ter sido chamado de Quixotesco por acreditar que o Brasil pode ser melhor, reportou-se a um trecho de Dom Quixote, de Cervantes, no qual o cavaleiro da triste figura é lembrado de seu nome por um lavrador:

“- Senhor Quijano – que assim deveria se chamar quando ele tinha juízo e não havia passado de fidalgo sossegado a cavaleiro andante -, quem deixou vossa mercê neste estado?

(…)

– Veja vossa mercê, senhor, que eu, pobre pecador, não sou D. Rodrigo de Narváez nem o Marquês de Mantua, mas Pedro Alonso, seu vizinho; nem vossa mercê é Valdovinos, nem Abindarráez, mas o honrado fidalgo do senhor Quijana.

-Eu sei quem sou – respondeu D. Quixote -e, sei que posso ser não só os que eu disse, mas todos os Doze Pares da França, e ainda todos os nove da Fama, pois a todas as façanhas que eles todos juntos e cada um por si fizeram se avantajarão as minhas.”

Se o Ministro das Relações Exteriores é o Dom Quixote que nos faz sonhar com grandes feitos, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, é quase o lavrador Pedro Alonzo, que nos devolve à dura realidade econômica, tal como Lima Barreto, que nos rebaixa à triste fortuna de Bruzundanga:

       “O país, no dizer de todos, é rico, tem todos os minerais, todos os vegetais úteis, todas as condições de riqueza, mas vive na miséria. De onde em onde, faz uma “parada” feliz e todos respiram. As cidades vivem cheias de carruagens, as mulheres se arreiam de joias e vestidos caros; os cavalheiros chiques se mostram, nas ruas, com bengalas e trajes apurados; os banquetes e as recepções se sucedem.

       Não há amanuense do Ministério do Exterior de lá que não ofereça banquetes por ocasião de sua promoção ao cargo imediato.

       Isto dura dois ou três anos; mas, de repente, todo esse aspecto da Bruzundanga muda. Toda a gente começa a ficar na miséria. Não há mais dinheiro. As confeitarias vivem às moscas; as casas de elegâncias põem à porta verdadeiros recrutados de frequeses; e os judeus do açúcar e das casas de prego começam a enriquecer doidamente.

       Por que será tal coisa? hão de perguntar.

       É que a vida econômica da Bruzundanga é toda artificial e falsa nas suas bases, vivendo o país de expedientes.”

Felizmente, Guedes também assinala com uma saída, ainda que com muito sacrifício.

Ao ouvir o discurso do novo Presidente e de vários novos Ministros, penso que teremos um início de governo formado por grandes guerreiros bem-intencionados, cristãos e vocacionados, teremos um governo de templários ou de espartanos que promete um ciclo virtuoso conectado com os verdadeiros anseios do povo brasileiro e não aceitaremos nada menos do que isso.

Os guerreiros de dentro e de fora do governo, que são aporrinhados dia e noite pelos adversários na nossa nação e que terão muito desafios e lutas para vencer, lembraram-me da palestra tão inspiradora quanto o discurso do Chanceler, de Luke de Held, no Fórum Educação, Direito e Alta Cultura, em especial da frase que a encerrou ao narrar a Batalha de Termópilas: (Palestra de Luke de Held – https://www.youtube.com/watch?v=VkqGSXvSKV0)

     “Se as flechas dos nossos inimigos são muitas e cobrem a luz da esperança no dia de hoje, ótimo, pois continuaremos combatendo às sombras.” 

Assim seja!! Lutemos todos às sombras!! É hora de começar a reconstrução.

https://mci.radio.br/claudia-piovezan/e-hora-de-comecar-a-reconstrucao/

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Cláudia Morais Piovezan

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina; Mestre em Direito Comparado e Ambiental pela Universidade da Flórida, Gainesville-FL; Idealizadora e organizadora do Fórum Educação, Direito e Alta Cultura; Aluna da Escola de Altos Estudos em Ciências Criminais e do Curso On line de Filosofia; Promotora de Justiça da Comarca de Londrina, no Estado do Paraná.

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